sexta-feira, 14 de maio de 2010

A matéria negra e o afeto, para Obaldino.

Maldito blogger! Eu protesto, tenho o texto completamente concluído e este maldito espaço não o aceita de modo algum! Talvez precise desta reclamação para que FUNCIONE! Dane-se a proibição de exclamações que meu estilo exige!


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Venha comemorar meus dez anos de RPG em chat, venha ser meu parceiro de criação


Jogar RPG é uma aventura e um exercício em que domamos nosso espírito e desbravamos outras vidas, outras possibilidades de nós mesmos, podendo assumir várias criaturas, vários tempos, experimentar pontos de vista muitas vezes opostos aos nossos. É o que percebo a cada sessão de jogo, por mais que eu seja um teórico da literatura e professor universitário: na verdade, quase nada sei, a ficção me ultrapassa, me desvia de mim mesmo e do que julgo saber.
A ficção interativa quase me desnorteia, pela surpresa de que o outro, o parceiro, não é alguém em mim, a palavra dele me escapa mesmo quando acho que a adivinho.
Esta postagem é confessional, não ficcional, enquanto preparamos novos capitulozinhos, enquanto negociamos com a editora.
Os visantes que desejarem aprender a jogar RPG, e aqueles que já souberem, mas, desejarem experimentar outros estilos, outras parcerias, sejam bem-vindos, estou procurando novos parceiros.
Basta deixarem recado aqui, ou enviarem e-mail para marceldeleon1987@hotmail.com.
Junto experimentaremos o absinto interativo.
Um brinde a novas parcerias.
Estou esperando novos seres criativos para comemorarem comigo meus dez anos deste aprendizado muito prazeroso.
Daniel Rodrigues

sábado, 2 de janeiro de 2010

Do leitor hipócrita ao imbecil que não é leitor (a respeito do subtítulo)

Link da imagem: http://mariie-stone.deviantart.com/art/Fleurs-du-Mal-91597509

Daniel e eu temos recebido e-mails nos perguntando a respeito do subtítulo do livro e do blog: “uma fábula para crianças índigo”. As pessoas querem saber porque ele dedica a obra a essas crianças, e, principalmente, quem são essas crianças, porque são nomeadas “índigo”.

Infelizmente, como estamos negociando com uma editora, não podemos nos estender nas explicações. Posso adiantar que as “crianças e adultos índigo” são o leitor que procuramos. Como o poeta francês Charles Baudelaire, Daniel e eu temos uma ideia do leitor que queremos, nem bem exatamente que queremos, mas, do único leitor que pode entender esta obra e esta parceria.

Em conversas com Daniel – é ele quem joga RPG, quem escreve os jogos e o livro, eu apenas publico o blog e o assumo socialmente porque ele simplesmente não quer aparecer e pronto – temos notado que há dois tipos básicos de errepegistas na internet: os destrutivos ou autodestrutivos e os mimados. Os participantes das redes sociais, em geral, também se encaixam predominantemente em um ou outro desses perfis. Ou o indivíduo quer se mostrar muito otimista, bonzinho, cor-de-rosa, ou então faz o gênero pitbull ou cachorra do mal. Estamos fartos dos dois tipos.

Baudelaire chamava o leitor de hipócrita, viciado no tédio e o nomeava “meu irmão, meu semelhante”. Não queremos ser hipócritas ou viciados no tédio, não queremos ser mimados, estúpidos ou malvados. Não queremos leitores desse tipo, não é para eles que Daniel escreve, nem é para eles que posto este blog em nome do Daniel.

Link da imagem: http://chuckometti.deviantart.com/art/Les-Fleurs-du-Mal-134723128

Aliás, aos moços e moças errepegistas, pelo amor de Deus!, quantas vezes preciso fazer o Daniel dizer que somos dois seres diferentes? Ô, porre! Sou bem menos paciente que ele, e me ofendo muito menos. Botem nessas cabeças – só aqueles que são imbecis, ‘tá? – eu não entro em chat, não jogo errepegê e é impossível você me ofender, a menos que você seja um desses seres: Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Sthéphane Mallarmé, Paul Valéry, Rainer Maria Rilke, Hölderlin, Novalis, Georg Trakl, Lautréamont, Nietzsche e outros que tenham publicadas e reconhecidas obras-primas do porte das dos citados. Se você não é desse naipe, me poupe, poupe o pobre do Daniel, poupe seus bracinhos que ainda podem vir a ser tendinitosos.


Link da imagem: http://zita52.deviantart.com/art/misstigri-et-les-fleurs-du-mal-85989288
Está certo que Baudelaire era um gênio e nem eu nem Daniel somos, concordo, mas, passados mais de 150 anos, o leitor deveria ter evoluído, na França e no Brasil. A julgar por grande parte do que Daniel grava dos chats, só piorou, e muito. É um paradoxo que esses metidos pensem que escrevem, quando mal sabem ler.

Link da imagem: http://sirxlem.deviantart.com/art/Les-fleurs-du-mal-113415580

O que salva o universo errepegista, pelo que leio no material que Daniel me passa, são os raros que sabem escrever e conhecem a palavra “respeito”, praticando o que ela significa. A esses sou muito grata [quanto aos outros, VEJAM BEM! HOJE ESTOU ASSINANDO A POSTAGEM E NÃO SÓ A POSTANDO, VIRAM?, SEUS IMBECIS QUE NÃO TIVERAM UMA SÓ AULA A RESPEITO DE VOZ NARRATIVA!] por realizarem com Daniel essa dança de palavras e imagens que renderão o belo livro que ele, cansado do mundo, não quer assinar. Graças a esses raros seres, a inveja que sinto do leitor francês de 1857, que Baudelaire “xingava” de preguiçoso, viciado e entediado, se torna um pouco menos dolorida.

Abaixo, transcrevo o poema de abertura do livro As flores do mal, para que os que também se sentem cansados de tanta burrice possam saber que a estupidez humana não é privilégio do RPG e nem de nossa época, mas, que tem piorado, infelizmente, ah, isso tem mesmo.

Link da imagem: http://mefistofele86.deviantart.com/art/Queen-of-Night-83093949

Ao Leitor
A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso corpo e o espírito viciam,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.

Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça;
Impomos alto preço à infâmia confessada,
E alegres retornamos à lodosa estrada,
Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça.

Na almofada do mal é Satã Trismegisto
Quem docemente nosso espírito consola,
E o metal puro da vontade estão se evoca
Por obra deste sábio que age sem ser visto.

É o diabo que nos move e até nos manuseia!
Em tudo que repugna, uma jóia encontramos;
Dia após dia, para o Inferno caminhamos,
Sem medo algum, dentro da treva que nauseia.

Assim como um voraz devasso beija e suga
O seio murcho que lhe oferta uma vadia,
Furtamos ao acaso uma carícia esguia
Para espremê-la qual laranja que se enruga.

Espesso, a fervilhar, qual um milhão de helmintos,
Em nosso crânio um povo de demônios cresce,
E, ao respirarmos, aos pulmões a morte desce,
Rio invisível, com lamentos indistintos.

Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada
Não bordaram ainda com desenhos finos
A trama vã de nossos míseros destinos,
É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.

Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais,
Aos símios, escorpiões, abutres e panteras,
Aos monstros ululantes e às viscosas feras,
No lodaçal de nossos vício ancestrais,

Um há mais feio, mais iníquo, mais imundo!
Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito,
Da Terra, por prazer, faria um só detrito
E num bocejo imenso engoliria o mundo;

É o Tédio! - O olhar esquivo à mínima emoção,
Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado.
Tu o conheces, leitor, ao monstro delicado
- Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão.

domingo, 1 de novembro de 2009

Madame Bovary, Maldoror e Lestat de Lioncourt


Link da imagem:
http://kolaboy.deviantart.com/art/Le-repos-de-Lucifer-2592661
É preciso levar em conta que estávamos seguindo livros de sistema e os de Anne Rice para interpretar nossas personagens por escrito. Ambos retratam uma sociedade inexistente, de seres que foram humanos e se tornaram sobrenaturais, tiveram de mudar hábitos, posturas, leis, criar códigos próprios, incluindo os alimentares, porque se tornaram predadores de humanos. Vampiros precisam beber sangue vivo, de gente viva. A literatura do gênero penetra nos labirintos da alma humana, nos cantos mais obscuros e assustadores. De minha parte, eu desejava investigar isso de pertinho, por meio da palavra. Por muitas vezes fui acusado de crimes que não cometi, os quais abomino completamente, uma vez que não sou um vampiro, não sigo os valores deles, não tenho as necessidades deles. Não vivo em um mundo que pode ser chocantemente amoral para nossos padrões.


Nos livros de Anne Rice é descrito o amor de Louis e Lestat por Claudia, a menininha de sete anos que eles tornam vampira; e o de Marius, um historiador romano que foi transformado em vampiro, por volta dos 30 anos, e Armand, um menino russo de 17 anos, que foi vendido por mercadores a um bordel de Veneza, na Renascença. Esses amores fazem parte do universo dos vampiros riceanos. Interpretando Lestat, preciso levar em conta o fato de ele ser tecnicamente morto, inumano, amoral. Como escritor, pretendo aprender mais sobre o ser humano, entrando em contato com o ponto em que a inumanidade nos ameaça. Sou contra o assassinato, evidentemente, contra a violência, contra todo tipo de desrespeito à pessoa humana, seja ela adulto ou criança. Sendo assim, não compactuo com todos os atos e posturas da personagem. Meu objetivo é compreender-lhe a mente, emoções, percepções, sempre levando em conta o fato de que Lestat pertence a uma outra espécie. Mergulhando em um universo em que as leis são subvertidas pretendo aprender mais sobre nós mesmos: os seres humanos.


Se minhas personagens são criminosas, doentias, vítimas de criminosos, eu não as posso renegar, nenhum escritor pode. Minha função é mostrar esse espelho à humanidade assim como muitos outros fizeram antes. Gustav Flaubert não era a favor do adultério ao escrever Madame Bovary, ao contrário, ele desejava compreender os motivos para o adultério, investigando a alma de uma mulher adúltera. Assim como Isidore Ducasse (pseudônimo: Lautréamont) não fazia apologia do puro mal do horror, ao descrever os crimes da personagem Maldoror nos Cantos de Maldoror. Por certo, Ducasse (ou Lautréamont) não era favorável a estupros, pedofilia, canibalismo etc. Mas, mesmo assim, ele teve de descrever as cenas em que um buldogue estupra uma menininha, ou as cenas em que um humano copula com a fêmea do tubarão.


Sendo assim, o leitor deste blog/livro precisa levar em conta que não estou fazendo apologia dos crimes de minha personagem, apenas estou buscando compreender melhor quando esses crimes acontecem no mundo real. Afinal, precisamos de leis, precisamos de afeto, de compreensão, porque nós, seres humanos de verdade, somos frágeis, somos incompletos, podemos ser culpados, podemos ser heróicos. Entre um polo e outro desconhecemos a nós mesmos. A ficção é um dos caminhos que inventamos para nos conhecermos melhor. Nas cenas que virão, Lestat mais uma vez estará aos beijos com um menino de 16 ou 17 anos, um menino-vampiro, morto como Lestat, e, os que seguirem a narrativa, verão esse menino tão ou mais criminoso que o Senhor dele. Mais importante que o menino é Bettina, a alemã que mostrará a Lestat que ele mesmo não passa de um menino.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Negociando com editora


A partir desta postagem serão lançadas cenas menores e ligeiramente aleatórias, mes amis, porque, finalmente, estamos em contato com uma editora paulista que manifestou interesse em publicar nossas Crônicas. Assim sendo, não vamos mais disponibilizar longos capítulos inteiros.
Continuarei selecionando techos muito bons da produção do Daniel e lançando aqui em postagens menores que depois não farão parte dos livros da saga. Pelo menos não com o tamanho, a forma, a disposição, o contexto e as inter-relações que aparecerem aqui.
Torçam para que a editora decida publicar esta saga de 16 livros. Os mais belos romances sobre vampiros originalmente escritos em língua portuguesa.
Aguardem, torçam e confiram. Enquanto aguardam, venham beber neste blog o sangue nobre destas crônicas do Daniel Rodrigues.
Um grande abraço da Voz do Blog
Dinamara Garcia

link da imagem:

http://psychoslaughterman.deviantart.com/art/Book-of-Blood-66796004