quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Capítulo 2 - Sade e Masoch: primeiro encontro de Bettina e Lestat

Poucas noites depois, jogamos, e Angie conseguiu o feito de trazer Lestat ao jogo. Por mais que investigue em disquetes, cds e pendrives, parece não haver registros do primeiro encontro, mas, eu interpretava Marcel, interagindo com outros jogadores que interpretavam vampirinhos mais velhos. Em meio a carícias, na verdade, esses tentavam diablerizar Marcel. “Diablerie”, no francês, significa “diabrura”, “trapaça”. Em Vampiro – a máscara indica o fato de um vampiro se alimentar do sangue de outro, levando o segundo à morte.

Notando o que pretendiam fazer com Marcel, Bettina, usando o celular do menino, onde encontra o número de Lestat, telefona ao francês relatando o que estava prestes a acontecer. Pronto! Estava feito, era necessário trazer Lestat à cena, se eu desejasse uma estratégia lógica para salvar Marcel. Eu o trouxe, ele salvou Marcel, deve ter trocado algumas palavras com a alemã. Fora deixado um gancho para o próximo jogo.
Por esse tempo ainda não havíamos adquirido o hábito de realmente gravar todos os jogos. Escrevíamos pelo puro prazer de escrever, motivados pela paixão do jogo. E a maioria dos outros colegas de chat agia do mesmo modo. Imagino quantos arquivos, quanta criação, quanto esforço de pesquisa foram perdidos nessa era inaugural do RPG em chat.

O primeiro jogo quase inteiro que sobreviveu nos arquivos da Angie e nos meus é o que vem a seguir, mostrando um encontro do casal, sem Marcel, na Taverne de La Perdition ou Taverna Perdição. Esse era o nome do bar utilizado como cenário para a maioria das narrativas que aconteciam no chat do Terra quando comecei a jogar. Talvez fosse uma escolha antiga e nem mesmo players anteriores a mim se recordem de quem o usou pela primeira vez. Conforme fui me habituando àquele espaço (tanto o virtual e “cyber”, quanto o ficcional), afrancesei o termo e passei a grafar “Taverne de La Perdition”. Nunca houve um consenso quanto à localização geográfica do estabelecimento. Nas narrativas com meus parceiros diretos ficou, por um tempo, decidido que estava situada em um espaço mágico, atingindo em menos de meia hora do abrigo de nossos vampiros, estivessem eles em que cidade européia fosse e, muitas vezes, mesmo norte-americanas. Assim, tanto fazia se estavam em Berlim, Roma, Paris ou Londres, em vinte minutos de carro chegariam lá. Nos jogos mais recentes, para aqueles que interagem com Lestat, ficou definido que se trata mesmo de um local nos arredores de Londres.
É uma estalagem de arquitetura gótica do século treze, com um bar e biblioteca no térreo, mais quartos e suítes de aluguel fixo ou rotativo, no andar superior. Apesar da estrutura gótica e da iluminação a candeeiros, a Perdition possui energia elétrica e conexão à internet. Conta ainda com um excelente bar onde são preparados drinques e vendidas bebidas do mundo todo. Situada em um espaço rural, chega-se a ela por estradas quase desertas, arborizadas. Em frente à Taverne há um estacionamento aberto, sem calçamento, apenas o chão de pedrinhas britadas, sombreado por velhos carvalhos. Há um jardim com bancos e caramanchões de trepadeiras perfumadas. Rodeada por montanhas e florestas, a Taverne ainda oferece a beleza de um lago mais à frente, situado depois do jardim, em direção à floresta e à montanha.

Pois bem, naquela noite, quando Angie chegou, eu estava jogando com Diego Castaño, um amigo de São Paulo, que interpretava Stephens Thyke e John Thyke, sobrinho e tio, respectivamente um lobisomem e um vampiro.

Nos sistemas de RPG em que jogamos, os lobisomens são genericamente nomeados “garous”(pronuncia-se “garrus”, à francesa) e são inimigos dos vampiros porque estes são considerados degenerações da espécie humana à qual os garous ou lobos, Filhos de Gaia (O Espírito da Terra, a Deusa Mãe), se dedicam a proteger enquanto os homens também são filhos dessa Natureza.

Garous e vampiros se misturam aos humanos, inclusive nos usos da tecnologia como automóveis, por exemplo. Embora Lestat fosse um inimigo de Stephens, talvez por esse ser parente de outro vampiro (John), havia uma inimizade polida entre ambos, uma competição menos furiosa, mais adolescente. A amizade entre os players também poderia justificar essa polidez. Portanto, não me surpreende que nessa noite de 08 de janeiro de 2003, Lestat estivesse apostando um racha com Thyke e outros freqüentadores da Perdition. Por isso bateu o Porsche vermelho e estava empoeirado quando Bettina o encontrou no interior do bar.

O texto do chat foi salvo parcialmente por Angie. Começa de um ponto qualquer, sem aspecto de verdadeira cena inicial, como se verá mais tarde, em jogos transcritos por completo do ambiente das salas virtuais. Em meio à narrativa do encontro, há alguns “offs”. O termo em inglês significa, para os jogadores em chat, que é a pessoa real, o player quem está se pronunciando, indica uma espécie de making off ao vivo, como se, em uma peça teatral, os atores falassem entre si fora da máscara das personagens, para comentar atuações, dar sugestões uns aos outros, ou, simplesmente, para falar da vida, do cotidiano, divagar, tagarelar etc.

Copiado do ambiente de chat, o texto mantém algumas características originais como as entradas com cada nick name ou apelido, que, no caso do RPG, na maioria das vezes, indicam os nomes das personagens em cena. Os asteriscos marcam as falas dos narradores, as vozes que contam a história. Fora deles, sem eles, apresentam-se os diálogos, as falas dos seres ficcionais. Embora alguns players façam outras escolhas, como aspas em vez de asteriscos.
Entre Angie e eu a palavra “off” iniciando uma mensagem aponta para fora do jogo, para nós, os seres não ficcionais. Houve situações, como se verá a seguir, em que a utilizamos no final de uma mensagem. Alguns colegas preferem o uso dos colchetes ou parênteses para abrir e fechar mensagens desse tipo. E, no decorrer dos anos, alguns passam a não usar sinal algum para indicar o jogo como “on” e a vida real como “off”. Nesses casos, a leitura da mensagem determinará seu caráter ficcional ou não.
Bettina v. Schaeffer 03:07:59fala com Lestat de Lioncourt
*Vira-se para ele como que se surpreendida. Tem os lábios entreabertos. Sorri, a princípio. Mas logo recolhe o sorriso. Não que este morra, mas torna-se mais discreto. Sempre as malditas crianças! Mantém o meio-sorriso e faz-se de hospitaleira* Ora, por favor... *com um gesto amplo, mostra as cadeiras à sua frente, vazias. Olha Lestat. Reconhece-o empoeirado.* Hummm... sua elegância para roupas faz um belo contraste com essa... *pega alguma poeira que se acumula no ombro do homem* poeira, huh? *põe-se a rir de modo agradável.*

Lestat de Lioncourt 03:08:23reservadamente fala com Bettina v. Schaeffer
☺ *As palavras, algumas riscadas e inteligíveis, falam de amor é ódio. Não há certeza nessa leitura caótica. Mas Bettina Schaeffer gostaria de ver esse papel, certamente. Os versos ou fragmentos de diário falam de Lestat dominado por ela, preso e maltratado de algum modo que ele não consegue se libertar, numa tortura sensual e dolorosa, sádica e voluptuosa. Parece ser o relato de um sonho* off- eis!

Bettina v. Schaeffer 03:09:40fala com Lestat de Lioncourt
Off: Yeap... Eu cheguei a ler essa. Dica de jogo, pois...

Lestat de Lioncourt 03:10:05fala com Bettina v. Schaeffer
☺ Desculpe.....*sentando-se, o blazer desvestido,sobre o ombro esquerdo jogado, Lestat o ajeita na cadeira, no espaldar* eu...eu...estava brincando....com velhos....inimigos, Bettina...*Sorri, morde os lábios* estou pouco apresentável, excusez-moi!

Lestat de Lioncourt 03:11:05fala com Bettina v. Schaeffer
☺ off- Eu acho que vc deve fazer que ela recebeu esse papel encontrado em Axel, hehehehehe!

Bettina v. Schaeffer 03:13:37fala com Lestat de Lioncourt
*Apressa-se em terminar o longo gole na Erdinger e pousa-a na mesa, causando certo ruído. Engole-a com cara de riso. Ah... franceses! Sempre ligando para coisas como a apresentação pessoal! Ri gostosamente.* Ah... que nada, querido! *ri-se novamnte, acariciando com as costas dos dedos o rosto de Lestat* Um certo ar... menos arrumado, mais... rebelde *e ela escolhera esta palavra com cuidado. Rebeldes, afinal, eram os que mereciam castigos!* é bastante interessante... mon cher... *novamente, como um gracejo agradável, ela tentava falar o pouco da língua natal do vampiro. O sotaque alemão era fortíssimo. Mas ao contrário de fazê-la parecer macarrônica, conferia-lhe um certo charme, uma idéia de olhar de estrangeiro, o olhar de fora, o olhar que melhor vê.*

Lestat de Lioncourt 03:17:13fala com Bettina v. Schaeffer
☺ *Lestat notara o charme desse sotaque, e, eternamente um estrangeiro onde quer que estivesse, aprecia o encanto desse sotaque que parece dotado de uma força primitiva* Ah, Bettina, pensei que vc não apreciasse de modo algum a rebeldia, hahahahahahaha!! *Ergue as duas sobrancelhas ao terminar a frase, segurando a mão da moça quando esta lhe tocara o rosto* Juro, acreditei totalmente que Tremeres e alemães fossem avessos à rebeldia, mas....devo....devo..ter me equivocado, não? *Há um certo desafio nas palavras do toreador
[1] proscrito*

Lestat de Lioncourt 03:18:19fala com Bettina v. Schaeffer
☺ off- o tempo é todo seu! vc decide seu jogo, hahahaha!

Bettina v. Schaeffer 03:22:31fala com Lestat de Lioncourt
*Sorri por um instante, dando-se ao prazer de outro longo gole na cerveja. Depois, chega-se um pouco mais para perto dele, como que para segredar-lhe algo, o que, de fato o faz.* Meu querido... Deixa-me dizer-te uma coisa... Há alemães e alemães... Tremeres e Tremeres, compreendes? Nada é absoluto. O absoluto é enfadonho e cansa. E... *aproxima a mão do braço dele e puxa a manga do terno, abrindo também o punho da camisa... Puxa ambas um pouco mais para cima, fincando, a seguir, as unhas afiadas no meio do antebraço de Lestat, inserindo a ponta delas na carne do homem, fazendo-o sangrar* na rebeldia, por vezes, pode-se encontrar muitos divertimentos diferentes... *afasta-se e tira as unhas da carne do moço, deixando lá quatro meia-luas ensangüentadas. Volta a beber e olha-o de modo significativo.* Para todos que participam da brincadeira... Entendes? *sorri, entre divertida e maléfica.*

Lestat de Lioncourt 03:27:40fala com Bettina v. Schaeffer
☺ *engole em seco, atônito, pego de surpresa, levando algum tempo para decidir a ação; não pode evitar os arrepios visíveis nos pêlos raros do braço louro bronzeado, sim, bronzeado!. Mas, logo se recompõe, embora veja o sangue escorrer em sua carne, marcada pelas unhas da moça* Sim, minha cara....*lambendo o próprio braço, como se estivesse felando alguém* nada é absoluto, evidentemente!! e, quanto a brincadeiras....*agora ele se aproxima mais, e segura o queixo de Bettina, sem apertar, suavemente, mas, os olhos, ah, aqueles olhos violetas, plenos de passado e mistérios* ninguém adora brincar mais que eu!! devo confessar-me o "Homo ludens", por natureza!!! *Ela pode sentir a força dele no olhar, nenhum gesto, apenas a cintilância das íris*

Bettina v. Schaeffer 03:35:38fala com Lestat de Lioncourt
*Mantém os olhos nos dele. Não! Fita diretamente, pelas íris transparentes, as pupilas do francês. Não sorri. Fala bem a sério, mas com olhos que convidam e desafiam.* E... meu querido... *ela apenas sussurrava. Tão baixo que mal se lhe ouviria Lestat se não usasse sentidos aguçados.* Os alemães não são tão sérios... *detém-se por instantes.* Mas a outra fama que têm... a de..."saber brincar"... *toca-lhe o braço ferido de leve* é inteiramente verdadeira, eu te posso assegurar... *levanta uma sobrancelha* mas de maneira diferente... Cada brincadeira tem seu tempo... sua finalidade... lúdica, simplesmente, ou como foi em eras passadas... *As mechas de cabelos negros da mulher lembravam chicotes com a súbita rajada de vento forte que entrara pela porta, aberta com rudeza por um freqüentador qualquer do lugar. Uma mistura de Medusa e mulher. Mas cujo olhar não petrificava. Ao contrário, convidava. Cujos cabelos não eram serpentes, mas vergastas.*

Lestat de Lioncourt 03:40:19fala com Bettina v. Schaeffer
☺ É mesmo? será que brincam melhor que os franceses, Bettina? *Ele fala muito de perto, o nariz arrebitado quase tocando o dela, o rosto sendo "vergastado" pelos cabelos negros que o vento move* Haveria alguma brincadeira que eu desconheça? e que uma mocinha como vc poderia ensinar-me, ahn? *Novamente ele se arrepia, pelo simples toque da mão de Bettina no braço que ele mantém ferido ainda, pois poderia tê-lo ciacatrizado ao lambê-lo* Vc seria uma boa pedagoga para um francês digamos.....um pouco...rebelde? *ele se sabe totalmente rebelde, iconoclasta, amoral, pervertido e zombeteiro, fora da ordem, fora da lei, marginal, e até eestá de acordo com o protótipo, assim empoeirado pelo racha que fizera antes de Bettina chegar*

Bettina v. Schaeffer 03:48:04fala com Lestat de Lioncourt
*Beija-lhe o rosto como uma mãe beija o de um menino. Sorri, em seguida.* Sei que de nós, a "menina" sou eu. Sei que contas muito mais tempo que eu... Deves ter todas as experiências que eu não tive... Mas não me importo. O pouco que tive ensinou-me muito... *ri-se brevemente* Se leste Venus em Pele, sabes bem do que gostas... Creio mesmo que tu o tenhas lido um milhão de vezes nesses muitos séculos, meu querido... E que o que ali é descrito provocou a ti arrepios muito maiores do que minhas unhas to fizeram há pouco... *Sorri por um instante, sem nada dizer. O livro de Sacher Masoch era, por assim dizer, o manifesto do masoquismo pleiteado pelos russos como "prata da casa".* Já eu, querido, deliciei-me com outras vivências, outras leituras, outros aprendizados... Li muitas vezes toda a obra de um compatriota teu... ahn... *faz-se de esquecida de modo caricato, quase* Ahn... um certo nobre que viveu tempos na Bastilha... um que morreu no hospício mas que, ao invés de garotinhos, como tu, preferia as garotinhas... Além de outros hábitos que são preferidos... *sorri com os olhos de um gato* por mim... *referia-se, claramente sabia Lestat, ao infame marquês. Ao Marquês de Sade.*

Lestat de Lioncourt 03:53:38fala com Bettina v. Schaeffer
☺ Hahahahahahahahahahahahha!!! Os bons e velhos Masoch e Sade!! hahahahahaha! O mundo é sempre repetitivo, sempre elegendo os mesmos adoráveis monstros, Bettina!!! Mas.....tem razão, eles...eles......eram dos mais.....entendidos no assunto! *Quando ela dissera que a "menina"era ela, o irritara um pouco, quando lembrara a predileção dele pelos "meninos", complementara a irritação de modo bastante eficaz* Adoro literatura, Bettina, tanto que eu mesmo escrevo minha biografia....além de ter sido poeta de rock, por algum tempo, se vc está lembrada....*Quem não estaria, sendo um cainita, de todas essas brilhantes quebras da máscara que ele fazia uma mortal assinar?.* Mas.....garanto-lhe, petite fille [menininha], a vida real é sempre mais saborosa e eficiente....mesmo nos terrenos dos velhos bufões que são Sade e Masoch, hahahahahaha!!! *Finge não ter ouvido-a falando de seus arrepios*

Bettina v. Schaeffer 04:02:33fala com Lestat de Lioncourt
Ora, eu sei... *bebe a cerveja, novamente e pousa-a sem pressa, olhando a tulipa que ia pela metade.* Eu sei! Práxis, meu caro francês! *ri-se* Se um de teu povo desenvolveu o que EU gosto *ela reforça o "eu" com um sorriso e uma entonação diversa*, outro do meu povo criou um conceito com o qual coaduno... Práxis, meu caro... práxis... *ri-se de sua academicice* De que adianta a teoria, de que adiantam os pais desses assuntos tão interessantes, se não pomos em prática suas teorias? *ri-se novametne. "Teorias". Como se Masoch e Sade escrevessem sobre... teorias!* Desenvolvi-me na... ciência... *ri-se de novo, gostosamente* como todo bom Tremere... Tenho meus objetos de pesquisa, tenho... *por pouco não lhe saía dos lábios a palavra "escravos", que é o termo com o qual a dominatrix designa seus - literalmetne - torturados companheiros de "folguedos".* amigos... Alguns... *finge um pesar ao qual propositalmetne deixa claro ser pura atuação* já se foram... *olha-o com olhinhos muito agudos e ri-se, deixando claro que no desenrolar das "brincadeiras", por vezes, havia morte.* E... gosto do teu riso... *olhava-lhe a boca aberta, enquanto ele ria... Imaginava-a com uma mordaça de bola, à qual, se apertada muito fortemetne junto com outros instrumentos, mataria um humano. Mas não um vampiro. Não o poderoso Lestat* Mas... é sem elas, é com outra expressão, mon coeur, que te sobrevêm os ditos... arrepios... *bebe cerveja* que precisam de... *ri-se, marota* práxis para serem conseguidos...

Lestat de Lioncourt 04:03:39fala com Filho de Lilith
☺ *tlp* garoto, hoje, Lady Schaeffer me subjuga, domina, escraviza! Este é um momento raro, pois as mulheres não têm, normalmente, este poder sobre mim! preciso aproveitar, temo que não dure, e ela se perca, portanto, deixe-me por agora! quero ver até onde ela pode chegar...

Lestat de Lioncourt 04:10:07fala com Bettina v. Schaeffer
☺ Hum.......*Longo silêncio, atenta observação, como se ela fosse uma catedrática de Universidade Medieval, e ele, um jovem calouro, no primeiro dia de aula* é mesmo? e.....desculpe-me perguntar, mas....quanta ...."práxis"....*imitando-lhe o sotaque* é necessária para que me sobrevenham os ditos....."arrepios", lady? *Desafiando-a, vendo-lhe na mente [se não houver impedimento, se não, seriam imaginação dele, apenas] quadros vivos dos folguedos em que ela, soberana, reina como dominatrix* ah, e, vale tão pouco assim, enquanto.... "pesquisa"... o meu sorriso? vale apenas esses tais..."frissons"["arrepios"]? *Ele tenta ficar parecendo contido, normal, mas, pela camisa transparente de seda fininha, branca, ela lhe vê os mamilos excitados que ele não vê, embora se sinta todo como eles*

Bettina v. Schaeffer 04:19:46fala com Lestat de Lioncourt
*Suspira, feliz, dona de si, com um sorriso vitorioso, embora, reconhecessse, aquela batalha toda era uma a ser ganha por dois. Cada um a seu jeito, cada um tendo sua preferência brindada. Cada um dos dois tendo, enfim, sua própria perversão, como chamariam os preconceituosos, complementada pela do outro e juntos chegariam ao prazer mórbido e doloroso. Cada qual com seu aspecto dessa mesma moeda chamada SM.* Para mim, querido... Nem é preciso tanto... embora tenha o meu... "instrumental"... seja vasto... *ele, se ainda "ligado" à mente dela, podia agora ver com nitidez vários tipos de chicote para açoite desde o mais leve, para genitais, ao mais pesado, usado nas espádulas.* gosto de usar também... coisas que estão fora da "teoria"... coisas ordinárias, que se encontram normalmente em uma casa... *ele, se ainda quer, vê escovas de cabelo com bojo largo, colheres de pau e até cabos de vassouras, além de velas de diversos diâmetros* É especialmente interessante para causar, como dizes..."frissons", mon cher, usar esse tipo de coisa... Provoca os arrepios... e depois, novamente, ao serem usados diariamente... só pelas lembranças de seu uso, uma noite, em determinada situação... *sorria com uma tranqüilidade que contrastava com os gritos que já ouvira inúmeras vezes. Não à toa, havia, por muitas vezes, ganho títulos como dominatrix em espécies de torneios, com exibição para o seleto público interessando. Suas capacidades e habilidades eram inquestionáveis na "arte" de proporcionar dor. E ela era muito segura disso!*

Lestat de Lioncourt 04:26:11fala com Bettina v. Schaeffer
☺ *Lestat conhecera muitos humanos e humanas envolvidos com os deleites e sofrimentos SM, mas, era a primeira vez que uma cainita, e tão bela, demonstrava ser exímia na arte a que ele não fora submetido. Se ele lhe percebia a alta capacidade, na mente, ela podia ver que, finalmente, alguém encontrara uma área do prazer em que o grande Lestat de Lioncourt era, absolutamente, ignorante, inocente, apesar de todas as suas perversas conquistas sexuais e amorosas. Calado, ele a olha fascinado, simplesmente fascinado. Algo o surpreendera como há séculos, e lhe aguçara a curiosidade, fazendo os olhos violetas nem piscarem, olhando-a estarrecido* Por Deus! Vc é mesmo uma Tremere, Bettina? *A voz dele revelava empolgação, e algum temor, e, apesar disto, o temor não negava o desejo de aventura. Estava, ou parecia estar, nas mãos dela* Mas.....ainda bem, somos amigos, não? *por algum motivo ele imaginara que ela só usaria seus métodos com inimigos*

Lestat de Lioncourt 04:28:51fala com Filho de Lilith
☺ *Por longos momentos, Lestat parece ausente, envolto em fascínio e abismo perigoso, indecifrável, delicioso, tigre atraído pela domadora*

Bettina v. Schaeffer 04:39:33fala com Lestat de Lioncourt
*Ela sorri, ainda. Mantém-se calada por um tempo e bebe cerveja fitando os olhos que denunciavam o estarrecimento de Lestat.* Ora, ora, meu querido... Ninguém nasce dominando. Dominar é uma arte, mein Liebling! São necessárias tentativa e erro para isso. Tenho toda a minha não-vida para aperfeiçoar-me e tenho feito isso. *silencia-se e continua com um sorrisinho de canto. Notava quão surpreso ele estava. Suspira, meio preguiçosa, e joga os cabelos para trás como se estivesse a falar algo banal, comezinho.* Meu bem, e como isso depende de aprendizado... já viste alguém que goste mais de aprender que os Tremere? Ou achas que ia passar minha eternidade aprendendo somente sobre música, arte e magia? *sorri com uma tranqüilidade quase de santa.* Aprendi tudo isso e como ainda queria aprender mais e sobre coisas diferentes, fui me interessando por esse outro, digamos, ramo do conhecimento. *dá umas risadinhas da própria solução de compromisso que usara para não precisar diser sobre bondage, dominação, sadismo e masoquismo.* Quanto a sermos amigos... *representa uma carinha de pena e apõe o antebraço no ombro dele, deixndo a mão pender suspensa* Ohhhh... que pena... uma verdadeira pena que sejamos só amigos... *enfatizara o "só".* Mas ainda assim, mesmo sendo amigos, posso te apresentar a outros boooons amigos meus, que costumo levar sempre comigo a Haia (onde há uma convenção anual internacional de BDSM)... (cont)

Bettina v. Schaeffer 04:40:24fala com Lestat de Lioncourt
(cont) *sorri e agora sussura com um jeito entre sapeca e malicioso* chamam-se flogs (açoites), cainings (varas para espancamento), whips (chicotes) e paddles (espécies de raquetes para espancamento)... além de tantos outros amiguinhos que eu adorariiiiiiiia te apresentar, mon cher... *continuava com o mesmo sorriso, mas em seus olhos era nítida a satisfação ao falar nos objetos de dominação e açoitamento.* Costumo exatamente apresentá-los a amigos! *pisca duas vezes e faz uma carinha divertida* não é uma coincidência, querido? *ri-se enquanto vai levando a tulipa aos lábios e não tira os olhos dos dele*

Lestat de Lioncourt 04:46:41fala com Bettina v. Schaeffer
☺ Ah, Bettina, vc me conhece mesmo muito mal, mon ange!!! Está para nascer quem vai me dominar a sério, algo como...um inimigo o faria, entende? agora, imagine se vou me submeter a uma tortura e a uma dominação por livre e espontânea vontade? hahahahahahaha!!! deve haver em vc alguma coisa de malkaviana, minha amiga!! Imagine? eu, Lestat de Lioncourt QUERER sofrer? *ele deixa claro que entendera melhor do que deveria as insinuações dela e elas o teriam enfurecido, pois ele cruzara os braços contra o tórax, afastando-se bem para trás, na cadeira, inclusive, fazendo a cadeira empinar-se apoiada só nos pés traseiros* Bettina, sexo deve ser prazeroso, minha cara! e, para que o seja, violência é algo totalmente dispensável! *Ele bem se recorda, neste momento, que, certa vez, os capangas do infernal Bruce Willians Rose o estupraram e espancaram em público, na taverna, e que, Yago, um Presas de Prata, fotografara a cena, espalhando cartazes pela Taverna [houve mesmo este jogo, hahahahahah!!], e, todavia, ele luta para esconder a maior dor daquela noite: ele gozara ao ser violentado. De fato, Lestat não deseja admitir mais perversões do que já tem*

Bettina v. Schaeffer 05:01:33fala com Lestat de Lioncourt
*Tem ainda o mesmo ar de tranqüilidade. A recusa extremada de Lestat acabara de lhe dar toda a certeza de que precisava. Ela gargalha, lutando apra conter-se e poder falar. Nos olhos, surgem lágrimas sangüíneas, devido ao riso tão forte.* Ah, sim, sim, Lestat. Claro, claro... *ri-se mais* "O sexo deve ser prazeroso e imagine se eu vou me subneter a uma tortura e a uma dominação por livre e espontânea vontade"... *ela imitara o jeito dele falar. O sotaque alemão quase sumira.. Ri-se novamente.* Lestat, meu querido Lestat... Logo se vê que os séculos que tiveste não te ensinaram nada sobre isso, embora eu note teu gosto, ainda que sufocado, por esse tipo de... "coisa malkaviana" minha! *suspira e contém o riso com êxito* Mon cher, não é necessário que haja sexo. A adrenalina, por si, já dá prazer e ela tem seu poder potencializado por esse tipo de atividade. Sexo, nisso, é opcional, embora eu ache que sempre se deva explorar todas as possibilidades... *bebe e volta a olhá-lo* A permissão? Ela é fácil de ser conseguida, querido... E só vale para o começo. Depois, quem manda, decide. *mordisca o lábio com visível prazer* Lestat de Lioncourt não quer sofrer? Nem um pouquinho? Ah, sim... mas em suas brincadeirinhas com Marcel, naquela noite em que nos conhecemos, meu bem, usaste algumas das práticas que esses "anormais" que querem sofrer e os que gostam de fazê-los sofrer usam em seus jogos. Usaste feminilização do menino... Peruca negra... tu o chamavas pelo meu nome... (cont)

Bettina v. Schaeffer 05:01:48fala com Lestat de Lioncourt
(cont) E, garanto, amas tanto aquele menino, mas tanto, que de boa vontade, em uma noite qualquer tu gostarias de te colocar no lugar dele. Senão para sentir o que ele sente, para por momentos ser o que ele é... Não haveria problemas... *ela o olha com ares compreensivos* Infantilização é outro joguinho que fazemos, meu amor... *sorri. Lestat realmetne não conhecia nada sobre BDSM e caíra na armadilha de todo curioso que é louco para participar desses jogos sempre cai. À moda do alcóolico que aceita um desafio para beber controladamente um drink por noite e acaba por uma noite beber dez e nas dez seguintes não beber nada, só para PROVAR a quem lhe propôs o trato que não é alcoólico, Lestat caíra na armadilha de Bettina ao ouvir os nomes dos objetos, ao ver em sua mente as práticas.* Não há pressa, mon ange... *suspira e sorri.* Temos toda a etenidade para que o grande Lestat de Lioncourt reconheça para si mesmo que quer, sim, fazer parte de um joguinho desses. E... por vontade própria... para o próprio prazer! *ela se levanta, termina a cerveja e abaixa-se até ele, dando-lhe uma lambida molhada com gosto de Erdinger e forte cheiro de cevada nos lábios, como um desafio felino. Os olhos brilhavam intensamente, como nunca antes.* Agora eu me vou, querido... E deixo-te com teus pensamentos e vontades desencontradas do discurso... *ri-se, vira-se de costas e segue apra a saída, perdendo-se na noite.*

Lestat de Lioncourt 05:09:34fala com Bettina v. Schaeffer
☺ Nunca, jamais, jamais, Bettina, vc fala um monte de bobagens, sua insana! Insana toda a tua raça, Bettina, insana!!! Eu não feri Marcel, ele não sentiu dor, era tudo uma brincadeira, encenação, nada a ver com mutilar, espancar, chicotear, nada a ver!!! Vc está me desafiando, Tremere, apenas isso! Vc está, como sempre, em busca de poderes, infinitos poderes, como todo teu maldito clã, Bettina!!! *Se ela queria despertar a fúria dele, ela conseguira com perfeição. Ele se levantara, furioso, atrás dela, indo ao estacionamento, onde, se recorda agora, batera o porsche vermelho contra uma Blazer* Ah, que decepção, Bettina! que decepção!! vc é ainda pior que as mulheres humanas!! muito pior! deselegante!!! Jamais! está ouvindo? jamais vou me submeter a esses jogos de tortura! eu nada tenho de malkavian, ma chérie, nada!!! *ele chuta o Porsche, repete os chutes, furioso, se descabelando ainda mais* Jamais, Bettina! Bom...o que esperar de uma nazista? merde!!! merde!! *chutando a lataria amassada do belo Porsche vermelho*

Lestat de Lioncourt 05:11:59fala com Bettina v. Schaeffer
☺ off- Hahahahahahahahahaha! ela simplesmente mexeu com os brios de Lestat, hahahahahaha!

Lestat de Lioncourt 05:13:56fala com Frederik
☺ *os gritos de Lestat, os chutes, podem ser ouvidos do estacionamento. Aquela mulher o fizera perder a pose, como um humano qualquer*

Lestat de Lioncourt 05:16:26fala com Richard A. Rouser
☺ *O Toreador francês se sentira insultado pela Tremere alemã. E, para piorar, ao pegar o carro, esquecera que o havia batido numa Blazer, ao voltar de um racha, ali mesmo no estacionamento*

Bettina v. Schaeffer 05:16:57fala com Lestat de Lioncourt
*Já perto do próprio Porsche prateado, ela o olha com cara divertida. Vê seu descontrole e sorri. Entra no carro e dá uma volta para passar perto dele e de seu carro batido. Quando se acerca o bastante dele, diz em voz sibilante, sensual.* Ficas lindo gritando assim... e mais ainda, com esse modo afetados dos franceses dizerem Scheisse (merda)! *ri-se, maliciosa e encantadora* Os Malkavianos, meu querido francês, são visionários, como sabes... Talvez essa "Tremere Malkaviana" tenha te mostrado uma visão do teu futuro... Algo que queres há séculos, talvez, mas que ainda não veio à tona... E achas que não machucaste jamais Marcel? *ri-se e olha-o em seguida placidametne* Está bem... Acredito... Hoje serei eu a fazer tua vontade... Um dia, meu bem, serás tu a fazer a minha... *ri-se novamente e acelera, indo embora. Não perdera de mente o "deselegante", do qual ele a xingara. Balança a cabeça negativamente, rindo-se. "Franceses e sua elegância, alemães e sua praticidade...", diz ela para si mesma enquanto Wagner tocava às alturas dentro do veículo que sumia nas estradas molhadas da cidade.*

Lestat de Lioncourt 05:18:38fala com Bettina v. Schaeffer
☺ *Ele xingara mais uma vez, quando ela passara pelo porsche* vá à meeerddaaaaaaa, nazistaaaaaaaaa!!! off- hahahahahahahaha! player, vc é maravilhosa, maravilhosa!

Bettina v. Schaeffer 05:17:30fala com Lestat de Lioncourt
Off: Mexer com os brios de alguém é o que ela mais aprecia... *rs

Richard A. Rouser 05:18:51fala com Bettina v. Schaeffer
☺ *nda até lestat , tlp* tu invergonhas teu clã .........tu invergonhas teu senhor tu invergonhas a mim justicar protetor ...guardião dos tremere!!!!!!!!

Lestat de Lioncourt 05:19:22fala com Bettina v. Schaeffer
☺ off- Putz, eu esperava isso do player do Geller, e ele não deu conta, parabéns! finalmente alguém que entende o Lestat, hahahahahaha!

Lestat de Lioncourt 05:20:20fala com Richard A. Rouser
☺ Richard, vc imagina isso? eu? eu, Lestat de Lioncourt, ridicularizado por uma ..uma....alemãzinha Tremere? *furioso, esmurrando o carro ainda*

Bettina v. Schaeffer 05:20:29fala com Lestat de Lioncourt
Off: Eu me diverti muito com esse jogo! *rs Imaginei as cenas e ri com cada uma delas! *garg*

Lestat de Lioncourt 05:21:22fala com Bettina v. Schaeffer
☺ off- hahahahahahaha! e eu também, puxa, é um saco ver que ninguém, em 3 anos, descobriu o único modo de detonar o Lestat, hehehehehe! só vc, parabéns, e vá dormir!

Lestat de Lioncourt 05:32:34fala com Richard A. Rouser
☺ naum, deixe-a!! off- deixe mesmo, eu espero uma player como ela faz 3 anos, hehehehehe!

Dominação e epifania

De fato, Angie conseguira desvendar a alma obscura de Lestat. Não sei se apenas do meu. Acredito que nos livros da Anne Rice ele também provoque tanto as demais personagens para que o domem, lhe devastem a alma e o corpo. A própria autora o levou a extremos de ser cortejado e raptado por Deus e pelo Diabo, sem nunca enveredar pelas trilhas do BDSM.

Eu mesmo não havia até então pensado nitidamente nessas veredas a que Bettina e Angie o levariam. Só sei dizer que essa noite foi uma epifania, um momento em que algo muito especial se manifestava, em que a percepção da natureza e do significado essencial dos jogos me era dada, a princípio mediante a apreensão intuitiva de uma outra realidade ou de novas maneiras de vivenciar o que chamamos realidade. Era vivenciada uma grande descoberta de novos modos de interpretar e perceber minha persona[2], deixando rastros muito intensos em minha vida pessoal conforme os jogos evoluíssem.

Relendo milhares de páginas de jogos, em um período que vai de 2003 a 2008, fica difícil selecionar as amostras que melhor dariam conta desta saga que envolve Lestat, Bettina e outras personas criadas e interpretadas por Angie e outros parceiros nossos, envolvendo ainda nossos seres sociais, históricos, psicológicos e individuais. São diversos fios narrativos que se emaranham compondo um traçado de beleza estonteante, capaz de atingir corações e mentes, em uma descompromissada harmonia que resulta do choque.

Neste trabalho de garimpagem, sou acometido pelo transtorno, o desejo de publicar tudo, absolutamente tudo, os mais de 1.700 arquivos em que o nome “Bettina” aparece. Antes de começar a escrever, acreditei que ler os arquivos por completo, resolvendo se eram péssimos, medianos ou excelentes, escolhendo só estes últimos resolveria a questão do método. Sinto-me, entretanto, ainda sem um critério de seleção, porque a paixão pelos jogos – mas não só por eles – me torna adolescente outra vez, e tudo se reveste de importância desmedida.

Provisoriamente resolvo continuar lendo toneladas de arquivos. Narrarei feitos importantes, guiando-me por trechos de impacto. Aquilo que não for exorbitante em beleza ou estranhamento será deixado para trás, entrando nestas páginas somente o que, Leitor, a você oferecer o extrato venenoso do RPG.

[1] Ok! Ok! Tremres, Ventrues, Toreador? O leitor não habituado ao universo errepegístico deve estar se perguntando o que esses nomes indicam. É hora de esclarecer. Vampiros são classificados de acordo com os clãs a que pertencem. Toreador é um deles. Para saber mais, ver wikipedia.

[2] Entre os errepegistas é comum usar os termos “persona”, “char” e “on” em vez de “personagem”.

Um comentário:

Renata Duarte disse...

Ola Dinamara... Agradeço a visita e retribuo. Que bom que gostou do meu blog. Gostei muito do seu também. Não jogo RPG, mas a narrativa me agradou muito. Estou acompanhando seu blog. Se sumir de vez em quando não se preocupe. Estou escrevendo minha tese e isso requer tempo e dedicação integral como você deve saber... Adorei... Agradeço a consideração. bjs